Letras de Músicas
de Bossa Nova
Songs from Brazil, CD by Paulo Bitencourt

CD Songs from Brazil

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Então, pague-me um chope com pizza ou, se preferir, um café com bolo, comprando uma das canções de meu CD.
Paulo Bitencourt

Aquarela

(Toquinho e Vinicius de Moraes)

Numa folha qualquer, eu desenho um sol amarelo,
e, com cinco ou seis retas, é fácil fazer um castelo.
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
e, se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva.
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel,
num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu.
Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul.
Vou com ela, viajando Havaí, Pequim ou Istambul.
Pinto um barco a vela branco, navegando. É tanto céu e mar num beijo azul.
Entre as nuvens, vem surgindo um lindo avião rosa e grená,
tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar.
Basta imaginar e ele está partindo, sereno indo,
e se a gente quiser ele vai pousar.
Numa folha qualquer, eu desenho um navio de partida.
Com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida.
De uma América a outra, consigo passar num segundo.
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo.
Um menino caminha, e caminhando chega no muro,
e ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está.
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar.
Não tem tempo, nem piedade, nem tem hora de chegar.
Sem pedir licença, muda nossa vida. Depois, convida a rir ou chorar.
Nessa estrada, não nos cabe conhecer ou ver o que virá.
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar.
Vamos todos numa linda passarela de uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá.

Tem Dó

(Baden Powell e Vinicius de Moraes)

Ai, tem dó!
Quem viveu junto não pode nunca viver só.
Ai, tem dó!
Mesmo porque você não vai ter coisa melhor.
Não me venha achar ruim
porque você me conheceu assim.
Me diga agora, e agora,
não foi assim que você gamou?
Você sabe muito bem
que, mesmo louco assim, gamei também.
Me diga agora, ora, ora,
será que alguém não foi quem mudou?

Copacabana

(João de Barro e Alberto Ribeiro)

Existem praias tão lindas, cheias de luz.
Nenhuma tem o encanto que tu possues.
Tuas areias, teu céu tão lindo,
tuas sereias, sempre sorrindo, sempre sorrindo.
Copacabana, princesinha do mar.
Pelas manhãs, tu és a vida a cantar.
E a tardinha, o sol poente
deixa sempre uma saudade na gente.
Copacabana, o mar eterno cantor.
Ao te beijar, ficou perdido de amor.
E hoje vive a murmurar:
“Só a ti, Copacabana, eu hei de amar”.

Bonita

(Antonio Carlos Jobim)

What can I say to you, Bonita?
What magic words would capture you?
Like a soft evasive mist you are, Bonita.
You’ll fly away, when love is new.
What do you ask of me, Bonita?
What part do you want me to play?
Shall I be the clown for you, Bonita?
I will be anything you say.
Bonita.
Don’t run away, Bonita!
Bonita.
Don’t be afraid to fall in love with me!
I love you.
I tell you, I love you, I love you, Bonita.
If you’d love me, life would be beautiful,
Bonita.

Caminhos Cruzados

(Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça)

Quando um coração que está cansado de sofrer,
encontra um coração também cansado de sofrer.
É tempo de se pensar
que o amor pode de repente chegar.
Quando existe alguém que tem saudade de alguém,
e esse outro alguém não entender,
deixe esse novo amor chegar,
mesmo que depois seja imprescindível chorar.
Que tolo fui eu que em vão tentei raciocinar
nas coisas do amor que ninguém pode explicar.
Vem, nós dois vamos tentar.
Só um novo amor pode a saudade apagar.

Influência do Jazz

(Carlos Lyra)

Pobre samba meu, foi se misturando, se modernizando, e se perdeu.
E o rebolado, cadê? Não tem mais.
Cadê o tal gingado que mexe com a gente?
Coitado do meu samba, mudou de repente. Influência do jazz.
Quase que morreu, e acaba morrendo, está quase morrendo, não percebeu.
Que o samba balança de um lado pro outro.
O jazz é diferente, pra frente, pra trás.
E o samba, meio morto, ficou meio torto. Influência do jazz.
O afro-cubano vai complicando,
vai pelo cano, vai.
Vai entortando, vai sem descanso.
Vai, sai, cai do balanço.
Pobre samba meu, volta lá pro morro e pede socorro onde nasceu,
pra não ser um samba com notas demais,
não ser um samba torto, pra frente, pra trás.
Vai ter que se virar, pra poder se livrar da influência do jazz.

As Pastorinhas

(Noel Rosa e João de Barro)

A estrela d’alva no céu desponta
e a lua anda tonta, com tamanho esplendor,
e as pastorinhas, pra consolo da lua,
vão cantando na rua lindos versos de amor.
Linda pastora, morena da cor de Madalena,
tu não tens pena de mim que vivo tonto com o teu olhar.
Linda criança, não me sais da lembrança.
Meu coração não se cansa de sempre, sempre te amar.

Começou de Brincadeira

(Pacífico Mascarenhas)

Mais ou menos, foi assim. Vou contar como é que foi.
Começou de brincadeira, de uma insinuação
dos amigos, que queriam fazer troça
e, de mentira, inventaram o nosso amor.
Começou assim, sem explicação,
sem haver sinceridade. Sem ninguém saber,
o amor tinha chegado
e a mentira, sem querer, virou verdade.

Aula de Matemática

(Antonio Carlos Jobim e Marino Pinto)

Pra que dividir sem raciocinar?
Na vida, é sempre bom multiplicar.
E por a+b eu quero demonstrar
que gosto imensamente de você. Ah!
Por uma fração infinitesimal,
você criou um caso de cálculo integral,
e para resolver este problema
eu tenho um teorema banal.
Quando dois meios se encontram,
desaparece a fração,
e se achamos a unidade,
está resolvida a questão.
Pra finalizar, vamos recordar
que menos por menos dá mais, amor.
Se vão as paralelas ao infinito se encontrar,
por que demoram tanto dois corações a se integrar?
Se desesperadamente, incomensuravelmente,
eu estou perdidamente apaixonado, apaixonado por você.

Tarde em Itapuã

(Toquinho e Vinicius de Moraes)

Um velho calção de banho, um dia pra vadiar,
o mar que não tem tamanho e um arco-íris no ar.
Depois, na Praça Caymmi, sentir preguiça no corpo
e, numa esteira de vime, beber uma água de côco. É bom
passar uma tarde em Itapuã,
ao sol que arde em Itapuã,
ouvindo o mar de Itapuã,
falar de amor em Itapuã.
Enquanto o mar inaugura, em verde novinho em folha,
argumentar com doçura, com uma cachaça de rolha.
E, com o olhar esquecido no encontro de céu e mar,
bem devagar ir sentindo a terra toda rodar. É bom
passar uma tarde em Itapuã,
ao sol que arde em Itapuã,
ouvindo o mar de Itapuã,
falar de amor em Itapuã.
Depois, sentir o arrepio do vento que a noite traz
e o diz-que-diz-que macio que brota dos coqueirais.
E nos espaços serenos, sem ontem nem amanhã,
dormir nos braços morenos da lua de Itapuã. É bom
passar uma tarde em Itapuã,
ao sol que arde em Itapuã,
ouvindo o mar de Itapuã,
falar de amor em Itapuã.

Sonho de Um Carnaval

(Chico Buarque)

Carnaval, desengano.
Deixei a dor em casa me esperando.
E brinquei, e gritei, e fui vestido de rei.
Quarta-feira, sempre desce o pano.
Carnaval, desengano.
Essa morena me deixou sonhando.
Mão na mão, pé no chão, e hoje nem lembra não.
Quarta-feira, sempre desce o pano.
Era uma canção, um só cordão
e uma vontade
de tomar a mão
de cada irmão pela cidade.
No carnaval, esperança
que gente longe viva na lembrança,
que gente triste possa entrar na dança,
que gente grande saiba ser criança.

Desencontro

(Chico Buarque)

A sua lembrança me dói tanto.
Eu canto pra ver se espanto esse mal,
mas só sei dizer um verso banal.
Fala em você, canta você, é sempre igual.
Sobrou desse nosso desencontro
um conto de amor sem ponto final,
retrato sem cor jogado aos meus pés,
saudades fúteis, saudades frágeis, meros papéis.
Não sei se você ainda é a mesma
ou se cortou os cabelos, rasgou o que é meu,
se ainda tem saudades e sofre como eu,
ou tudo já passou, já tem um novo amor, já me esqueceu.

Mocinho Bonito

(Billy Blanco)

Mocinho bonito, perfeito improviso do falso grã-fino.
No corpo é atleta, no crânio é menino,
e além do ABC nada mais aprendeu.
Queimado de sol, cabelo assanhado com muito cuidado.
Na pinta de conde se esconde um coitado,
um pobre farsante que a sorte esqueceu.
Contando vantagem, que vive de renda e mora em palácio,
procura esquecer o barraco no Estácio,
lugar de origem que há pouco deixou.
Mocinho bonito, que é falso malandro de Copacabana,
o mais que consegue é um vintão por semana
que a mama do peito jamais lhe negou.

Melodia Sentimental

(Heitor Vila-lobos e Dora Vasconcelos)

Acorda, vem ver a lua
que dorme na noite escura,
que surge tão bela e branca, derramando doçura.
Clara chama silente ardendo o meu sonhar.
As asas da noite que surge
e corre no espaço profundo.
Oh, doce amada, desperta!
Vem dar teu calor ao luar.
Quisera saber-te minha,
na hora serena e calma.
A sombra confia ao vento o limite da espera,
quando dentro da noite reclama o teu amor.
Acorda, vem olhar a lua
que brilha na noite escura.
Querida, és linda e meiga.
Sentir meu amor é sonhar.

Deixa

(Baden Powell e Vinícius de Moraes)

Deixa! Fale quem quiser falar, meu bem.
Deixa! Deixe o coração falar também,
porque ele tem razão demais quando se queixa.
Então, a gente deixa, deixa , deixa, deixa.
Ninguém vive mais do que uma vez.
Deixa! Diz que sim pra não dizer talvez.
Deixa! A paixão também existe.
Deixa! Não me deixes ficar triste.

O Velho e a Flor

(Toquinho e Vinicius de Moraes)

Por céus e mares eu andei, vi um poeta e vi um rei,
na esperança de saber o que é o amor.
Ninguém sabia me dizer, e eu já queria até morrer,
quando um velhinho, com uma flor, assim falou:
“O amor é o carinho,
é o espinho que não se vê em cada flor,
é a vida, quando chega sangrando,
aberta em pétalas de amor”.

Planeta Água

(Guilherme Arantes)

Água que nasce na fonte serena do mundo
e que abre um profundo grotão.
Água que faz inocente riacho
e deságua na corrente do ribeirão.
Águas escuras dos rios
que levam a fertilidade ao sertão.
Águas que banham aldeias
e matam a sede da população.
Águas que caem das pedras,
no véu das cascatas, ronco de trovão,
e depois dormem tranquilas,
no leito dos lagos, no leito dos lagos.
Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d’água,
é misteriosa canção.
Água que o sol evapora, pro céu vai embora
virar nuvens de algodão.
Gotas de água da chuva,
alegre arco-íris sobre a plantação.
Gotas de água da chuva,
tão tristes, são lágrimas na inundação.
Águas que movem moinhos
são as mesmas águas que encharcam o chão
e sempre voltam humildes
pro fundo da terra, pro fundo da terra.
Terra, planeta água.

Peço a Deus

(Mestre Marçal)

Peço a Deus um mundo cheio de paz.
Peço a Deus que alcance os seus ideais.
Peço a Deus que a inveja jamais.
Peço a Deus pra sermos todos iguais.
Peço a Deus pra te livrar da maldade.
Peço a Deus que te dê felicidade.
Peço a Deus que se propague a bondade.
Peço a Deus amor e prosperidade.
De mãos dadas, peito aberto, rumo certo para o bem,
pra lutar contra a maldade que este nosso mundo tem.
Viver uma vida mansa, sem ver o tempo passar.
Ter sorriso de criança, ver bondade em cada olhar.
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